segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

A hard logic problem - The escape of blue eyed vampires


Once upon a time, a vampire clan lived peacefully on an island (as long as vampire clans can live peacefully). Then, a demon lord came, overwhelmed the vampires and became the ruler of the island. The demon didn't want any vampire to escape so he created a gargoyle to guard the only way out. This gargoyle was a fantastic creature, so powerful that he was kept petrified for the whole time until a vampire appears. Then he awakened and started to fight until seeing no more vampire "alive" (as far a vampire can be alive). All vampires crazy enough to try were killed only left a hundred of vampires. There was a catch, of course. The gargoyle was not perfectly designed. It did not awaken when blue eyes vampires appeared. And all remaining vampire were blue eyes but as you know vampires cannot see him/her selves on reflections. For any reason, they were not aware of their eye colors.

Besides all that, blue eyed vampires didn't like each other (so they would never say to each other whether or not they had blue eyes if it would allow the other be free even it would free them) and they were too coward to try to challenge the odds against the gargoyle. They would try only if they were absolutely sure.

That was the situation for years until a succubus came to this island to send a message to the demon lord. (The message is not important for our story _ The important thing is that succubus realized the situation and wanted to mess the situation up). The demon put an imp to follow the succubus for the time she was in the island to be sure the visitor would not "disturb" the environment. Before she went back, there was a dinner where all vampires were invited and the demon asked her: "Would you like to say anything to the crowd before you go? By the way, if you say something they don't know, you die". She looked at the crowd and said one phrase. The next day she left the island.

For a time, the island was unusually quiet. But, in the end of 100 days, all vampires had gone.

Question: What did the succubus say to the vampire crowd?

Important information that all vampires and the succubus knew:
_ all vampires were unnaturally smart.
_ they would take one day to leave the island.
_ if they were sure about the color of their eyes, they would escape the island for sure.
_ they became aware of the gargoyle and the gargoyle weakness in different time.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Expressões, preconceito e racismo

Expressões preconceituosas e racistas

Antes de alguma outra frase, primeiro peço licença para falar de mais um assunto do qual não domino. Falo por acreditar que um leigo presta serviço maior ao debater assunto com base em fontes (ainda que seja uma Wikipedia) e no pensamento lógico do que simplesmente se manter mudo a questões do cotidiano. Em voga agora está em falar quais são ou eram as expressões preconceituosas e racistas que até a pouco eram toleradas em muitos meios.
Como é covarde dizer que em boca fechada não entra racismo. O racismo não é perpetrado apenas por quem profere mas por quem se cala à agressão perpetrada a outrem. Mas veremos que a questão é muito mais complexa que os cães raivosos do politicamente correto querem dizer.
Tomo aqui a palavra racista, como sendo algo usado para impor a dominação de uma “raça” sobre outra. Portanto, a acusação de racismo vai muito além da mera acusação de preconceito. Não tenho o menor apreso por vitimismo barato, onde expressões que nada tem a ver com o preconceito são citadas como racismo e por isso criei essa lista.

Nada a ver

Minha lista começa pelas expressões que não tem nada a ver com preconceito ou racismo a menos da cabeça de certos vitimistas:
  • Vai amarelar?
    Mesmo que: “vai acovardar?”.
    Grupo (não!) relacionado: asiáticos
  • Ficou vermelho de raiva?
    Mesmo que: “ficou vermelho de raiva”. Basicamente é uma observação com relação ao efeito que a elevação da pressão arterial causa à fisionomia do individuo.
    Grupo (não!) relacionado: indígenas norte-americanos (peles-vermelhas).
  • Fiquei branco de medo
    Mesmo que: “ficou branco de medo”. Análogo ao caso anterior, essa é uma observação com relação ao efeito que a redução da pressão arterial causa à fisionomia do individuo.
    Grupo (não!) relacionado: caucasianos
  • Deu branco na prova.
    Mesmo que: “as ideias fugiram-lhe durante a prova”. Branco aqui tem dupla conotação com o vazio e como resultado de não se preencher a folha (branca) de respostas.
    Grupo (não!) relacionado: caucasianos

Nada a ver II

Bom, até agora, colocamos como expressões que envolvem uma cor e nada têm a ver com os grupos étnicos denominados por aquela. As expressões envolvendo a cor negra merecem uma sessão a parte porque a cor carrega um rico simbolismo. Assim, a cor negra é relacionado com a noite, a escuridão, o desconhecido, a morte, etc.
Copiando da wikipedia:
In the Roman Empire, it became the color of mourning, and over the centuries it was
 frequently associated with death, evil, witches and magic. According to surveys in 
Europe and North America, it is the color most commonly associated with mourning,
 the end, secrets, magic, force, violence, evil, and elegance.
  • O lado negro da força
    Como dito anteriormente, a cor negra é carregada de simbolismo. A produção cinematográfica de Jorge Lucas faz uso desse simbolismo associando o lado negro às forças da morte, do desconhecido, do medo. Os produtores tiveram o cuidado de enfatizar que o lado negro não seria um conceito em si mas um de seus aspectos da força, um poder metafísico e ubíquo, herdando a ideia ( e símbolos) do dualismo presente em muitas religiões como no Yin-Yang do taoismo.
  • Mercado negro
    Mesmo que: “mercado” em desacordo com as leis vigentes. Negro aqui está no sentido de “furtivo” assim como daria a expressão “à sombra de” (em oposição a expressão “às claras”). Poderia ser mercado à sombra da lei. A sombra não é amarela, verde ou azul. É negra. Simples assim.

Quanto muito, debatível

Deslizando da sessão anterior para o debatível, temos expressões que podem ser relacionadas com a raça mas não eram o sentido original da expressão ou não tinham o sentido de prejuízo. Algumas vezes o problema não é a expressão mas como é aplicado.
  • Denegrir
    Mesmo que: manchar, macular. Quando aplicado a reputação, a analogia seria em oposição a cor branca (que remete a pureza) e qual manchas escuras ficariam bastante evidentes. Essa analogia pode ser encontrado em livros antigos como o livro de lamentações da bíblia judaico-cristã:
    “Os nossos príncipes eram puros como o leite e sem manchas como a neve; eram fortes, cheios de vigor, e os seus olhos brilhavam de saúde. Agora, o seu rosto está preto como carvão, e, quando eles andam pelas ruas, ninguém os conhece. A pele deles secou como a madeira e grudou nos seus ossos.”
    É óbvio que quando usado para dentes ou vestimentas não existe razão para supor preconceito ou racismo. A questão é no máximo debatível quando empregado à reputação.
  • A coisa ficou preta
    Mesmo que: a situação ficou bem ruim. A analogia é com os tempos de guerra, ou pandemia quando o número de pessoas em luto aumenta.
    O professor José Pereira da Silva, no livro de filologia “A ORIGEM DAS FRASES FEITAS USADAS POR DRUMMOND” coloca os pontos nos “is”: “A coisa, o estado das coisas ou a situação está ficando preta quando as pessoas enlutadas (em luto) começam a se aglomerar. É uma imagem visual do indesejável, do que é ruim. O preto talvez tenha predominado com o sentido de luto a partir do séc. XVI, conforme vimos, por analogia à situação miserável da escravidão imposta aos africanos negros a partir daquela época na Europa e transportados, posteriormente, para o Brasil.”
  • Amanhã é dia de branco
    Essa é uma expressão enigmática mas sua origem estaria dificilmente relacionada com preconceito contra negros. Algumas possíveis explicações:
    Profissionais que trabalham com uniformes brancos (marinheiros, profissionais da área de saúde) poderiam dispensar a cor apenas nos dias livres (finais de semana e feriados). Dias de branco seriam os dias de usar o uniforme, portanto dia de trabalhar. Outra, seria uma analogia ao dia de se justificar o ordenado representado pela nota de mil cruzeiros com o Barão do Rio Branco estampado em sua face.
    Curiosamente, “dia de preto” é também dia de trabalho por outra analogia: no calendário, os dias grafados em preto são dias úteis. Os grafados em vermelho são domingos e feriados.
  • Moreno
    Mesmo que: pessoa de cabelo moreno. ou: Pessoa de pele escura {como mouro [dos descendentes das tribos berberes (tribos do norte da África, região da Maurátia) mas cuja a designação vem do latim maurus que significa escuro]}.
    Observação: Não há nada demais em se descrever como tal. Mas, há de se respeitar a pessoa por sua autodenominação. As pessoas são livres para se denominarem negras, morenas, mulatas. Os demais que sigam tais denominações.
    Embora tecnicamente correto que negros sejam morenos, não é de bom tom chama alguém por uma característica física, (a menos em raras exceções como algumas ações reafirmativas possam exigir). Esse recurso tem um apelo cômico, jocoso (e por vezes humilhante) ao reduzir a denominação de uma pessoa a uma de suas características físicas.
  • Mulato
    Mesmo que: mestiço. A expressão vem da analogia com a mula, um híbrido de asno com cavalo e pegou possivelmente pela falta de conhecimento/termos mais adequados. Note que o termo não é uma invenção moderna: Heródoto, escreve em “Histórias”, uma passagem onde o oráculo de Delfos profetiza a Creso, rei da Lídia, que o seu reino duraria até que uma “mula” fosse rei dos medos; fato que vem a ocorrer
    quando Ciro II, que tinha pai persa e mãe meda, se tornou rei da Média e da Pérsia e o reino de Creso cai.
  • Nego (e neguinho)
    Possibilidades
    1- Mesmo que PESSOA (pessoa não determinada). Exemplo de uso: “nego (que fez isso) é muito bom”. Geralmente traz o sentido “alguém que extrapola limites”.
    2- Pessoa querida. Exemplo de uso:
    “Dizendo nego sinta-se feliz
    porque no mundo tem alguém que diz
    que muito te ama que tanto te ama”
    3- Descendente de escravos. Exemplo de uso: “SEU nego sujo”.
    Nas palavras de Luiz Silva na obra “Moreninho, neguinho, pretinho”:
    “(…) lembrávamos o uso entre brancos da expressão “nego” (com a pronúncia nêgo). Entre negros e mestiços isso ocorre também. Essa mesma variante pode ser empregada para exprimir admiração e carinho como para projetar ódio e desprezo. É a circunstância que vai nos revelar a intenção do falante. Contudo, o uso afetivo, que nos remete a certa intimidade na relação, oferece algumas pistas. Ao juntar o possessivo “meu” ou “minha” antes do termo “nego” (com a pronúncia nêgo), tem-se o acolhimento do outro. Ao contrário, quando se emprega o também possessivo “seu”, o falante atira no outro a carga semântica da ofensa escravista, como se dissesse ao ouvinte que é dele (“seu”) o defeito de ser descendente de africanos escravizados.”
    Adicionalmente, no português, o diminutivo pode assumir múltiplas funções. Pode passar proximidade como desprezo e como tal é usado para enfatizar o tom desejado para a palavra nego.
  • Judiar
    Mesmo que: tratar mal. Alusão a tratar como os judeus foram tratados.
    Fonte: http://www.etimologista.com/2010/04/judiar-qual-origem_06.html
    Nota importante: O rabino Henry Sobel, em seu livro “Os Porquês do Judaísmo” coloca sua interpretação do caso: “O significado está claro: não há nada de pejorativo. Não fomos nós que maltratamos. Nós, os judeus, fomos maltratados. E cada vez que usamos a palavra “judiar”, estamos conscientizando os outros. O termo não deve ser eliminado. Pelo contrário, é bom que o mundo se lembre do preconceito do passado, para que não o permita no presente e no futuro.”
    Grupo relacionado: judeus

Preconceituoso mas com alguma salvação

É a partir daqui que o caldo entorna. Ainda que o termo tenha salvação quando aplicado a um público muito específico, via de regra ele deve ser evitador por ser generalistas e carregar um tom preconceituoso.
  • a Cor do Pecado
    Mesmo que: a cor da sedução. Existe um duplo teor na expressão. O pecado seria algo bom do ponto de vista mundano e ruim do ponto de vista espiritual. O que pode ser particularmente positivo para quem segue uma vida mais hedonista ou negativa para quem segue uma vida baseada em preceitos ortodoxos tais como os religiosos.
    A expressão traz ainda duas características estereotipadas. A primeira é a respeito da fisicalidade do negro, considerado mais corpulento e por isso sexualmente mais atraente. A segunda é a liberalidade. Essa última, herança das relações dos senhores com as escravas, que via de regra era extramatrimonial.

Preconceituoso, sem salvação

Não há o que se salvar numa expressão cuja intenção é diminuir o próximo. A expressão a seguir mostra esse tipo de expressão execrável mas ainda há passos do que está por vir.
  • Loira Burra
    Há duas possíveis intenções para essa expressão. Uma, metonímia da parte pelo todo: “loira, e como tal, burra”. Nesse caso é um insulto direto ao grupo.
    Segundo, segmentação do grupo e redução do indivíduo ao esteriótipo: “loira, do tipo burra”. Note que o livro “os homens preferem as loiras”, que cai mais para o primeiro caso, foi escrito por uma morena, a inteligente e sexy Anita Loos, com a intenção de reduzir as (atraentes) loiras a “tolos” objetos sexuais.

Racista

O que faz uma expressão ir além do preconceito!? Fiquemos aqui com a definição clássica do que seria racista e definamos expressão racista com base nisso: a expressão precisa sustentar uma situação de dominação entre raças. O caso da “loira burra”, como um contraexemplo, mostra um grupo racial (no caso pessoas morenas) querendo impor superioridade a outro. Ocorre que não existe dominação do primeiro grupo sobre o segundo. Talvez na época do império romano, os latinos submetessem povos germânicos e tal conceito pudesse ser aplicado, mas não hoje. Os povos germânicos inverteram a situação de dominação de tal modo a nos exportar seus padrões de beleza. A “loira burra” estuda nas melhores escolas, universidades, tem os melhores empregos, etc. Muito embora, alguns estudos sugerem que o estereótipo leve as loiras a algumas dificuldades no mercado de trabalho se comparadas a suas pares morenas o status quo é de dominação econômica dos loiros/loiras e não o contrário.
A expressão racista, reforça uma situação de dominação, absolutamente arbitrária, injusta que vai muito além do mau gosto e falta de noção. Ela estende o insulto a humilhação, a manutenção de uma injustiça grotesca, etc. Vejamos:
  • Serviço de preto
    Mesmo que: serviço malfeito. O preconceito vem do fato dos escravos negros não terem acesso à educação profissionalizante (mesmo trabalhos manuais possuem sutilezas e requerem conhecimentos quais a pura aplicação do raciocínio não basta para descobri-los). Como resultado, os negros, escravos ou livres, representavam mão de obra barata porém não qualificada cujos serviços realizados não apresentavam a mesma qualidade daqueles feitos pela contraparte branca. Como se fossem os pretos culpados pela falta de educação formal e profissionalizante, em quase sua totalidade organizada e implementada por uma elite branca.
  • Nasceu com um pé na senzala
    Mesmo que: Tem ascendência negra.
    Em minha ignorância “nascer com um pé na cozinha” é nascer com dons culinários, com um dos pais ou avós como reconhecido cozinheiro. Se alguém quer dizer que outro é filho de negro com uma perífrase ofensiva e racista, a expressão anterior
    é mais “adequada” por fazer a relação direta entre o negro a condição de escravo qual eles viveram. A propósito, essa condição de descendentes de escravos não deveria ser vergonha de seus descendentes porque não forem de seus ancestrais a escolha por essa ao contrário da condição de descendentes de escravocratas.
  • Mulata tipo exportação
    Nem quero comentar o preciso significado da expressão. É uma designação da mulher negra ou mestiça como sexualmente atraente. O ponto é a redução da mulher a um objeto exportável. Muito possivelmente como “herança” da escrava como objeto sexual (a herança não se dá apenas pelo que era usual no passado mas por suas consequências … a negra/mestiça como filha da escravidão ser socialmente mais vulnerável quando comparado as demais mulheres e presa mais fácil a exploradores)
  • Negro de alma branca
    Chega a ser difícil falar dessa expressão tão absurda que ela é. É uma clara manifestação de racismo, atribuir ao negro, cuja a cor da pele não se pode negar, a cor de uma alma mais “elevada”. Sendo a alma invisível, a atribuição da cor não se pode provar falsa. O duro é o delírio de se imaginar que os brancos teriam almas mais elevadas.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Curry with JS

Partial application and currying with Javascript

In the strict way, currying is the technique of transforming a function that takes multiple arguments (a tuple of arguments) to one function that receive only one. In such way, currying techniques allow transform one multi-parameter function in a chain of functions, each one with a single argument. Looks complicated? Blah.. it is not true.
In this little article, we are actually more interesting in partial applications. Let’s take the Mozilla Example for replace function in String. As we know, we can use a “replacer” function as paramenter for replace method in String object.
Let’s say that we want to split a String defined by a non-numerical part, a numerical part and finally a non-alphanumeric part. Here is how:
function replacer(match, p1, p2, p3, offset, string){
  // p1 is nondigits, p2 digits, and p3 non-alphanumerics
  return [p1, p2, p3].join(' - ');
};
We can try it as usual…
var newString = "abc12345#$*%".replace(/([^\d]*)(\d*)([^\w]*)/, replacer);
So far so good. Let’s say now that the delimiter should change according with some conditions, e.g. locale specific.
function replacer(delimiter, match, p1, p2, p3, offset, string){
  return [p1, p2, p3].join(delimiter);
}
That’s bad. We cannot apply that replacer in regexp replace function. What can you do?
We want to have a partial application for that function. Take that!
function makeReplacer(delimiter) {
    return function replacer(match, p1, p2, p3, offset, string){
      return [p1, p2, p3].join(delimiter);
    }
}
So now, we can create a replacer for comma-separated-value:
var delimiter = ',';
var csvReplacer = makeReplacer(delimiter)
That constructor is so simple, so elementar that we could create a generic way to do that. Let’s create a curry function.
Function.prototype.curry = function() {
    var fn = this, args = Array.prototype.slice.call(arguments);
    return function() { // new function
      return fn.apply(this, args.concat(
        Array.prototype.slice.call(arguments)));
    };
  };
How does the magic work? Closure!!! That dammit word is what defined the whole magic.
var fn = this;
var args = Array.prototype.slice.call(arguments);
First, arguments is a special object to access the parameters. However, arguments type is very similar to Array but it is not an Array. To use it in apply method we need to convert it to real Array. For that, we gonna use slice function. But slice function is a method defined on Array. Ok. Ok. Let’s use the slice function from Array replacing “this” object (within slice context) by “arguments” object. with the mighty call method…
Array.prototype.slice.call(arguments);
In that way, we have this and arguments saved on context. The Closure magic will keep that context (those local variables fn and args) within the context of new function. In that new function context, we also have a new values for this variable (now keeping the new function reference) and arguments (now the arguments of that function). So we can concat (add all elements) from arguments the to our args and we gonna have all arguments necessary for the original function.
return fn.apply(this, args.concat(Array.prototype.slice.call(arguments)));};
So here we can rewrite the makeReplacer with curry… (because it is more spicy):
var delimiter = ',';
   var csvReplacer = replacer.curry(delimiter)

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pelo direito de "torcer"

Atualização: o verbo que traduz as manifestações de encorajamento de um grupo a uma pessoa ou time no português do Brasil é torcer. O que é bastante pitoresco. Torcer remete ao tempo em que as pessoas assistiam aos campeonatos de regatas e balançavam lenços  (muitas vezes de forma  sincronizadas, como um espetáculo de encorajamento). Quando as coisas ficavam tensas, o público começa a torcer os lenços.

As pessoas  não entendem porque os brasileiros choram por um jogo. Debocham, compartilham fotos dos chorões, tolos, torcedores que torcem  por "nada". A sabedoria da internet, nos inunda com uma  série de ótimas frases. As dos ingleses são as melhores, talvez porque eles já estejam acostumados a perder no jogo que inventaram:  "aos invés de chorar por suas crianças famintas, eles choram por um jogo". Essa frase é tão cínica e estúpida ao mesmo tempo que certamente não vou conseguir responder como deveria.

Ao falar em "suas crianças", o comentário limpa a consciência do inglês da pobreza no mundo. Como se estivesse a dizer: as crianças inglesas  estão saudáveis e bem alimentadas; se existe alguma criança morrendo de fome, claro que não é no meu mundo. Talvez seja assim que o inglês, com sua moral sublime, consiga dormir à noite com toda a pobreza nos países de terceiro mundo. A África, por exemplo, não fica no planeta Terra. Quer dizer, não no planeta Terra inglês: Earth. "No kid hungry on the Earth, of course my dear".

Mas deixando o cinismo de lado, a frase coloca que o mundo não é governado pela razão. Qual a razão de se chorar por uma história de  ficção escrita, contada ou encenada? Nenhuma, não é? As pessoas perdem tanto tempo com arte e entretenimento, para que? "E as crianças sofrendo?"
O que enche os pubs ingleses a noite? Seriam atividades relacionadas  a caridade ou  elevação intelectual? O que leva o avanço do consumo de drogas dos jovens? Para alguns, a estupidez é a explicação fácil; como se a vida fosse um problema simplíssimo, óbvio, boçal.

Assim como para qualquer pessoa inteligente com um mínimo de sensibilidade, futebol é um jogo emocionante. Sim, emociante, surpreendente, e de acordo com os americanos mais loucos, é um jogo contra os valores capitalistas:  porque as pessoas que não tiveram o "mérito" de nascer nos "melhores" países competem em igualdade com os "melhores" nascidos e os indivíduos, por melhores que sejam, são bem pouco comparados com o coletivo.

Bom, para o brasileiro, futebol é muito mais do que um jogo emocionante. É um patrimônio cultural nacional. Quem morou no Brasil sabe como o futebol permeia a nação. No mundo robótico onde as pessoas não são permitidas jogar, assistir jogos e blarg... torcer, nada disso pode fazer sentido mas no Brasil as pessoas sofrem pelos seus times, assim como as pessoas sofrem pelos seus melhores personagens nas suas ficções preferidas. O Brasil tem histórias de futebol que precedem a história das copas. Basta lembrar que a "seleção" participou de todas as edições da Copa do mundo.

Tomar uma goleada em "casa" é doloroso para o brasileiro porque de certa forma é sentir parte de seu patrimônio cultural ser perdido, no mínimo ferido. O medo de o Brasil ser grande no futebol apenas na história corrói  sua alma que agora tenta deglutir o prato indigesto de realidade servido em sete doses pelos alemães. Os intelectualóides e os falsos filantropos que me perdoem, mas o brasileiro tem direito sim de sofrer pelo futebol.

sábado, 28 de junho de 2014

Marilena Chauí e sua auto-crítica

A Marilena Chauí é uma mal compreendida, coitada.

Ela claramente usa seu discurso para insuflar ânimos e, por que não, inflamar seu público, assim como faz um líder militar numa frente de batalha apontando a crueldade do inimigo e porque esse precisa ser aniquilado. Ela, afinal, não está ali recitando um livro de sociologia mas fazendo um discurso político.

Ou, considere como uma apresentação de retórica circense mas bem menos inofensiva. Seu discurso muni seus correligionários com argumentos para abater seus opositores com simplificações, generalizações e distorções que tornam o alvo caricato, ridículo. Infelizmente, um discurso tão pobre e simplista apenas atrapalha uma discussão verdadeira. Mas, quem se importa? Os infelizes correligionários que seguem seu argumento acabam comprando uma série de falácias a despeito de quem é contra suas ideias.

O alvo, o reacionário de direita, é pintando como um cínico, insensível socialmente, (tosco), não politizado, estúpido (pela forma com que trata as pessoas mais pobres, pela forma com que trata o estado, por não enxergar a contradição de não ser a elite e mesmo assim defender os valores da elite, sendo ele mesmo alguém preso a estratificação social). Ainda mais lastimavelmente, ela chama o alvo de "classe média" por ser uma classe de pessoas numa posição intermediária nessa estratificação social, "algo" entre o proletário e o capitalista detentor dos meios de produção. Ela caricatura: pessoas que trabalham com serviços.

Se não fizermos uma leitura muito (mas MUITO) esdrúxula de "classe média", a descrição social, econômica e, porque não, intelectual do alvo é basicamente uma auto-descrição. Marilena Chauí, descreve o grupo a qual ela pertence e por qual ela tem asco. Talvez ela se sentisse melhor abrindo mão do seus salário de professora universitária, mas como ela disse, essa classe não consegue enxergar a contradição em que vive.

Alguns defensores da socióloga podem considerar que classe média foi usado de modo quase que acidental, uma mera apropriação de um termo para chamar a atenção contra seu alvo. Aqueles que são da classe média e não são parte do alvo são as exceções e já estão "salvos". Isso tudo é falso! Classe média é usada como recurso linguístico para diminuir o conjunto de quem não concorda com suas ideias. Ao atribuir o pensamento a classe média, Chauí está se apropriando do que seria a voz coletiva dos menos abastadas como se ela fosse um paladino da verdade, uma legítima representante das massas e o inimigo, as classes mais abastadas fossem o inimigo a impedir sua cruzada. O inimigo mais próximo, seus pares sociais, são jogados logo a frente do trator de justiça movido pelo rancor social. Dessa forma, ela cobre o fato de pessoas mais humildes também poderem discordar de sua verborragia e mais, poderem eles mesmo serem atores reacionários de direita.

Eu realmente acredito que ela saiba disso, e ela utiliza essa linguagem, esse discurso de propósito, de forma desleal e maliciosa.  Fora isso, é de uma arrogância sem tamanho acreditar que seu discurso é tão perfeito que o que resta é tosco, vil, asqueroso. É provável que Marilena Chauí tenha um espelho em casa, as pessoas que ainda não sabem.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Socialismo morto e vivo

(a confusão entre socialismo e comunismo neste texto é algo ilustrativo. Qualquer dúvida, consulte sua enciclopédia favorita).

Socialistas me cansam.


Marx, espertamente cunhou o termo comunismo e capitalismo como meio de enaltecer suas ideias e depreciar as alheias:
- aqueles que são orientados pela comunidade
- aqueles que são orientados pelo capital

"Ah, vai pastar". Então eu poderia chamar os (parvos) socialistas de burristas, aqueles orientados por ideias burras e aqueles que defendem a liberdade econômica de liberalistas.

Viva a linguagem! Mais uma vez estou a contemplar como a linguagem impacta o que nós pensamos e nesse caso para criar
um apelo à emoção.

Aproveitando, vou dizer o que aconteceu com o socialismo:

O socialismo foi um conceito moldado nos últimos 100 anos, como uma resposta a um exacerbado otimismo no sistema vigente, na liberdade econômica em contraste a uma crescente apatia a situações cada vez pior dos mais pobres. Para a espécie humana, a empatia não é simplesmente uma característica lateral, sem pressão evolutiva. Pelo contrário, a empatia foi cunhada como parte central da nossa relação intra-espécie. Pelo mesmo motivo, a canalhice , a indiferença e a injustiça são entojados com todas as forças de nossos genes.

Elucidar quando essas coisas acontecem é importante. O socialismo não só tenta elucidar esses problemas como propõe um ideal de sociedade. Essa é sua primeira complicação: há todo um campo da filosofia dedicado a responder o que seria a sociedade ideal e as teorias socialistas não são um consenso, especialmente a muito liberalistas. Como um estado anárquico e harmônico poderia emergir de um conceito tão debatível?

O segundo e igualmente sério problema do socialismo é que seu discurso altruísta é utilizado para promover ideias bem egoístas:
corporativismo, politicagens (loteamento de estatais, autarquias e instituições públicas) e a manutenção de uma elite social (políticos do partido). Felizmente para o socialismo, e infelizmente para nós, esse problema enfraquece o que seria seu ideal mas fortalece seu "movimento" até o ponto que o terceiro problema se torna gritante.

Bom, o terceiro problema é a ineficiência. Quando o estado tenta corrigir diferenças sociais, ele serve com um balde furado que tira de um lado para abastecer outro, mas deixa um rastro de desperdício no caminho. O balde furado também tem algumas implicações filosóficas como aponta o filósofo Robert Nozick. Assumir que a distribuição que segue da relação (comercial) entre homens livres não preserva a justiça, significa que o estado com liberdade econômica estará continuamente num estado de injustiça (e não é possível ser justo e livre… portanto, uma conclusão anti-anarquista).

Esses problemas são tanto mais agudos, quanto obtuso for a visão política das pessoas. Para aqueles que pensam que o mundo tem apenas duas cores, o socialismo continuará a ser o paraíso ou inferno sem oportunidades para melhorias. Isso nos leva a seguinte conclusão.

O Socialismo está morto. Vida longa ao socialismo.


O comunismo (não o ideal comunista mas o estado ditador ao intitulado comunista), irmão louco do socialismo, morreu durante o Outubro Negro, ou quando o muro caiu, ou quando começou a Perestroika, não importa.
A essa altura, o socialismo e o ideal comunista já estavam mortos e enterrados, muito tempo mesmo antes de Stalin subir ao poder. Morreram pouco depois que foram justificados pela dicotomia da luta de classes (rica dominante vs pobre dominada). O problema nisso é a forte discretização maniqueísta do mundo. Uma ideia tão fraca que nasce quasi morta.

O socialismo nasceu com essas feições tortas: vitimismo, maniqueísmo e pessimismo. Muitas pessoas até hoje são compelidas por essas ideias. O discurso do socialismo tosco é esse: o sistema atual é falido, assim como suas instituições corruptas; não existe como a sociedade no modelo atual dar certo porque suas bases são podres (o estado é governado pela elite cujo principal interesse é se manter no poder). A elite oprime o proletariado a seu bel prazer enquanto o sistema econômico força a concentração de capital e por tanto a divisão de classes para níveis cada vez maiores. A pobreza em cada país é acentuada pela ação de seus capitalistas enquanto que a pobreza de países é fruto da exploração de países ricos.

Uma rápida digressão… Interessante quando os números são usados como provas para o vitimismo, a falácia conhecida como causa falsa (cum hoc ergo propter hoc), nos faz lembrar uma máxima científica: "correlação não implica em causa". Segundo Daniel Cerqueira, diretor da 4ª edição do Boletim de Análise Político-Institucional. mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil e há um forte viés de cor e condição social nessas mortes: "Numa proporção 135% maior do que os não-negros. Enquanto a taxa de homicídios de negros é de 36,5 por 100 mil habitantes, no caso de brancos, a relação é de 15,5 por 100 mil habitantes".

O Boletim de Análise Político-Institucional não informa que esse forte viés de cor precisa mesmo considerar a seguinte coincidência: a maioria das mortes ocorrerem nas regiões periféricas das grandes metrópoles; enquanto que na periferia a taxa de homicídio é de 140 para 100 mil habitantes, no centro das grandes cidades é de 14 para cada 100 mil habitantes. O que não seria diria nada, se pardos e negros nos bairros de periferia não fossem 70% de sua população. Os fatos ainda que não favoreçam os negros evidenciam como os números podem ser torturados. Nos números apresentados por Daniel Cerqueira, a condição social é uma justificativa muito mais relevante do que a cor da pele. (Ah, desculpe, “isso não tem nada a ver com socialismo”, foi apenas uma digressão sobre o discurso vitimista).

Sobre a injustiça do positivismo jurídico


("tá bom", eu não vou falar o que é positivismo jurídico… fica a dica: positivismo jurídico vs justiça social)

Ok. Vamos olhar a dialética sobre a formulação das leis (qual nível de mudança são permitidas no sistema atual). As leis são elaboradas pela a concordância de partes. Enquanto que algumas escolas de pensamento supõe um estado sem lei, onde homens livres decidem pela criação e aplicação de leis (surgimento do estado), uma certa corrente de pensamento tenta desmoralizar “desmascarando a real racionalidade” delas como sendo oriundas de um sistema político já injusto e que conserva essa injustiça. “A quem servem as leis?” é o mote. As leis criadas pelos reis, serviam a eles. Assim, as leis criadas pelos homens brancos ricos serviam aos homens brancos e ricos.

Mas como as concessões ocorreram? Como as leis foram se tornando cada vez mais democráticas? (ignorar que não houve evolução é como ignorar os avanços científicos. Os fatos, números estão descritos em abundância por todos os lados e serão preguiçosamente omitidos aqui). Ora, segundo essas correntes, o poder foi escoando da mão dos poderosos aos poucos, porque para permanecerem no poder eles precisavam fazer concessões. “Mas as leis afirmam o que a prática política nega”. Dessa forma, sutilmente nada se muda. Esse tipo de controle é ainda mais poderoso do que o direto porque isso emudece o discurso opositor. A questão é que esse parágrafo ilustra uma das paranoias socialistas.

A “classe rica dominante” ao contrário do que sugere o economista barbudo, não é uma classe homogênea, nem um bloco sólido de opiniões concisas. Na verdade, é um mero corte da população baseado num critério econômico. Seus membros rivalizam entre si, e suas posições são algumas vezes contraditórias. A bem da verdade, o barbudo diz muito mais do que isso: ele descreve um sistema e seu maquinário que levam a sociedade a situação mais extrema de maior concentração de renda e poder. Mas concentremos na estratificação da sociedade por um momento. Tomemos agora, como exemplo, a elite americana pré-guerra da secessão. A elite do sul divergia fortemente da elite do norte a ponto dessas diferenças precisarem ser decidas em guerra (por exemplo, um lado queria a manutenção da escravatura e o outro a abolição). Essas divergências ocorrem ainda mais no indivíduo cada qual com sua agenda, mantendo seu conjunto de crenças, opiniões, desejos, valores, etc.

A ideia de uma reunião entre fazendeiros, industriais, artistas, por exemplo, para decidir como manter o povo burro e manipulável é boçal. Ao industrial, não interessa uma população deseducada, improdutiva, pobre. O artista também não será melhor remunerado por uma população pobre. O fazendeiro, poderia ser o único a ganhar ainda que muito marginalmente com isso. Além disso, não é o poder (absoluto) que escoa da mão dos poderosos. O poder emana das pessoas. A medida que as pessoas mudam, o epicentro do poder muda, e as leis mudam para acomodar essas mudanças. O poder não escorre… novos forças surgem (aumentando a produção), e assim, muda-se o epicentro do poder. O rico não perde seu poder absoluto, mas o poder relativo ao corpus.

As leis não são apenas a resultante entre os interesses egoístas entre as forças de uma nação. O jogo da formulação de leis compreende várias interações, e complexidades em oposição aos jogos estáticos, de soma zero, de conhecimento completo, etc. Nada leva a crer que a estratégia dominante seja o de minimizar o ganho dos demais para tentar maximizar o próprio, dado que o jogo é por vezes cooperativo e não competitivo (as pessoas competem pelos recursos do estado, mas cooperaram entre si para criar objetos de seu bem estar… A empatia nos leva a considerar a situação do próximo e nos permite analisar como minimizar os riscos de estar nas situações infelizes. Homo homini lupus( o homem lobo do homem), a paranoia que insinua que as pessoas são "naturalmente inimigas" vem sendo contestada por estudos da antropologia, sociobiologia e primatologia, como investigações sobre a origem da moralidade (Frans de Waal). (Não que não existam lobos morando entre ovelhas, mas essa seria a exceção e não a regra). Em última análise, nas sociedades democráticas, as leis requerem o suporte de eleitores, que não julgam se se as leis são apenas vantajosas economicamente para elas, mas se elas são boas. O peso para questão econômica e a questão moral podem ser pessoais mas são não nulas, do contrário, qualquer tentativa de convencer a importância de uma lei usuária apenas de um tipo de discurso: apelo econômico ou apelo a moralidade.

Não existe nada de errado em apontar as falhas do mercado sem regulações, ou de leis "capitalistas" injustas, etc. Mas acreditar na conspiração do homem branco rico querendo oprimir a todos através do sistema que lhe garante uma posição fixa numa pirâmide social ad eternum é uma falácia do espantalho aos distorcer falhas corrigíveis para problemas irreparáveis (dentro próprio sistema). A estratificação da sociedade não foi, por exemplo uma invenção capitalista. Qual a mobilidade social do sistema asiático, do sistema escravista, do feudalismo? Pois, a liberdade econômica, não é a causa de mazelas como essa e pode sim ser limitada por um estado com ações afirmativas para corrigir injustiças. Os maiores avanços no bem estar social são vistos nos países que tentaram essa abordagem. Entre um estado mínimo que deixa a mão invisível do mercado encontrar a solução e o equilíbrio de tudo, e um leviatã que detém tudo (fim da propriedade privada) e decide tudo (economia planificada), existem várias opções no meio. O pobre maniqueísta, vitimista, pessimista socialista não consegue enxergar isso. Que bom que já morreu.

As investigações de Marx e seus seguidores sobre possíveis problemas do capitalismo servirão como guia para uma classe infindável de pessoas: os cínicos, os desavisados, os bem intencionados, os sérios, os intelectuais de esquerda, os intelectuais de direita, os pseudo-intelectuais, etc, enfim, todos aqueles que estão dispostos a ouvir as críticas ao capitalismo. Apenas para citar algumas interessantes ideias: o fetiche do dinheiro, as barreiras de entradas cada vez maiores, o colapso do lucro, o monopsônio do empregador (monopolista dos meios de produção), a teoria da mais valia. Marx, assim como outros socialista pareciam não estar mal-intencionados e mostravam sincera preocupação com o bem estar-social. A preocupação com os “oprimidos”, principalmente a ideia de promover um sistema "justo" é certamente perpétua. A relação do socialismo com as ideias desse último parágrafo nos dá pista que ele continuará vivo bom um bom tempo. Sendo assim, que bom.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ignorância tem cura

Ignorância tem cura

(Rodrigo di Lorenzo Lopes)
Sobre a pesquisa…
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres.pdf
A culpabilização da mulher pela violência sexual é ainda mais evidente na alta concordância com a ideia de que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros” (58,5%). Por trás da afirmação,está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais; então, as mulheres, que os provocam, é que deveriam saber se comportar, e não os estupradores. A violência parece surgir, aqui, também, como uma correção. A mulher merece e deve ser estuprada para aprender a se comportar. O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras , como se comportar e se vestir "adequadamente".

Saliento aqui como a pergunta é capciosa: “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”. “Se mulheres andassem armadas, haveria menos estupros”. Por trás dessa afirmação está a noção que é possível exterminar os estupradores antes que eles sejam capazes de cometer crimes. Ao meu ver o IPEA erra ao utilizar essa metodologia de frases feitas. Um curioso exemplo é que 91% dos entrevistados acreditam que Homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia. Ao mesmo tempo, 89% concordam que “Roupa suja deve se lavar em casa”. (Seria a cadeia uma extensão da casa?)
No entanto, a outra pergunta foi de fato bem direta: Gráfico 24, “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
Essa frase também é relevante por apresentar variações significativas segundo algumas características. Mais uma vez, residentes do Sul/Sudeste e jovens têm menores chances de concordar com a culpabilização do comportamento feminino pela violência sexual, que também são menores inversamente ao nível educacional dos entrevistados. Contudo, chama atenção o fato de que católicos tê m chance 1,4 vez maior de concordarem total ou parcialmente com essa afirmação, e evangélicos 1,5 vez maior.
Fui programado pelo meu DNA para desejar o corpo da mulher mas meu ser consciente sabe que sou dono de um único corpo: o meu próprio. Nesse mundo “bacana”, machista e capitalista que vivemos a indústria explora essa programação para vender todo tipo de produto. Isso só mostra como relevantes são meus impulsos para meu lado inconsciente. Nada muda do ponto de vista consciente. A noção do que é certo ou errado não muda com o quero ou deixo de querer. Mas a racionalidade do que é certo muda quando conheço mais sobre os parâmetros de moralidades a mim oferecidos. (Temos por exemplo a algum tempo “abandonado” a moralidade da força, _ embora até os dias de hoje algumas ações parecem ser justificadas apenas pelo mote “porque eu posso” _ mas houve uma época que era perfeitamente aceitável subjugar o mais fraco).

Reescrevendo o que um colega falou: algumas instituições promovem certos parâmetros de moralidades incoerentes. A igreja por exemplo, oferecendo a submissão da mulher como uma “lei de Deus” faz uso de semelhante retórica abandonada em outros casos, como na submissão de povos indígenas ou escravidão dos negros. A igreja sobrevive em sua paraconsistência porque sua força não está na persuasão mas na coerção e comoção (em ambos os casos, apelo a emoção). Enquanto isso a sociedade presume outros critérios de coesão: O contrato social sugere um pacto que delimita a liberdade individual em prol do todo, onde as partes “colaboram” por consequência de uma conclusão racional (ver Rawls, “Uma teoria de justiça”). Estamos diante de uma luta entre o poder coercivo dessas antigas instituições e do espírito crítico.

No longo prazo, parece que o apelo a emoção tende a ser rendido pela razão. Nesse mesmo levantamento sobre a “Tolerância social a violência da mulher” vemos que a concordância da frase sobre roupas “provocantes” e o merecimento do ataque muda conforme nível educacional e credo. Outras evidências já apontaram como um curso superior é associado com o desenvolvimento de um julgamento moral. E os números nos dão uma certa segurança que as mudanças estão a caminho:
http://edudemic.com/wp-content/uploads/2012/01/students-world.jpg
http://www.diw.de/documents/publikationen/73/diw_01.c.74360.de/dp738.pdf

Ímpeto para o mal

(autor não revelado)

Sobre a pesquisa sobre a tolerância à violência da mulher, sinceramente eu não fiquei surpreso. E não ficaria nem se a pesquisa tivesse escala global. Tem muito caminho pela frente. Eu acredito que não seja algo apenas cultural (no Brasil ou em qualquer parte onde ainda impere a misoginia, o machismo).

Na verdade, cultural é não ser machista e não perpetuar a cultura do estupro. Cultural é desenvolver um sistema de regras e práticas de convívio não dominante/sexual com os membros do sexo oposto. Na natureza há inúmeros casos de dominação, estupro, cerceamento, etc… Ao desenvolvermos algum grau de consciência e linguagem tornou-se importante mudar certos comportamentos. Vale o mesmo para termos desenvolvido uma sociedade, por exemplo. Alguns comportamentos se tornaram insustentáveis e lutamos todos os dias pra mudar. Uma parte dessa luta é a cultura que tentamos reforçar todos os dias, do tratamento igualitário independente de gênero.

Claro que muitas instituições, especialmente as religiosas, incentivam a submissão feminina e isso só atrapalha o processo de formação dessa outra maneira de pensar, mas é fato que os milhares de anos de evolução que resultaram na nossa espécies (e em todas as outras) tem uma grande influência no comportamento brutal e irracional ligado a sexualidade. Mais uma vez, o pensamento religioso que criminaliza e torna em pecado o sexo auxilia na permanência dessa forma violenta de lidar com questões internas como o desejo. De qualquer forma, é claro que estamos lutando com ímpetos cunhados em longas e longas gerações.

Um ímpeto é um gatilho, que uma vez acionado dificilmente pode ser parado. A apetência, ou seja, a exposição aos fatores que acionam esse gatilho, por outro lado, é algo controlável. Como biólogo me sinto numa posição bastante desconfortável de entender que apesar de socialmente absurdas, talvez essas formas de controlar a apetência (o infeliz vagão separado por gênero, as roupas que só não cobrem os olhos) sejam eficazes. É claro que poderíamos aplicar isso ao contrário também, trancando em jaulas ou mantendo em correntes, ou castrando, ou obrigando a andarem por aí com vendas e cães-guia os homens que não estivessem aptos a conterem seus ímpetos. Difícil então seria separar o joio do trigo.

Anestesiados

(Rodrigo di Lorenzo Lopes)
A culpabilização da vítima é o retrato de uma sociedade não apenas cínica mas acostumada com a violência como se ela fosse inevitável. Acabo de ler em minha timeline: “Se eu pegasse todo meu salário em notas, colocasse no bolso (de modo a denunciar a presença das notas lá) e saísse para as ruas com uma camiseta: ‘Não mereço ser roubado’”.
 
Isso nos leva ao Sakamoto, um Mac fan que diz que numa sociedade tão desigual quanto a nossa, o maior culpado não é o ladrão mas aquele que ostenta sua riqueza (claro, Sakamoto condenou aqueles que concordam que “as mulheres que vestem roupas provocantes merecem ser atacadas” _ (mas e se os seios forem siliconados???)).

Isto tudo me lembra o dia que eu falei para meu amigo português:
_ A gente deixou a apresentação na mesa dando sopa.
_ Dando sopa???
_ É. Dando mole. Dando sopa. Quero dizer, fácil para qualquer um pegar.
_ E de onde veio esse termo dando sopa?

Dando sopa foi um termo cunhado pela seguinte situação: algumas pessoas das classes mais abastadas iam para periferia distribuir sopa e acabavam sendo roubadas. Na delegacia, ao fazer o BO e ultrajados pela situação ainda tomavam o sermão: “Mas é claro. Vocês ficam ai dando sopa”.
O crime ofendido pelos ricos que distribuem sopa tem certa semelhança ao do rico que desfila de rollex. A sentença é: estão facilitando, dando “mole”. A sociedade brasileira age com essa razão: não é possível ignorar a criminalidade pelo contrário todo cuidado é pouco. Sim, porque o cidadão comum não pode sozinho mudar a realidade. O que o indivíduo faz é evitar que seja ele a próxima vítima. A visão cansada do dia a dia parece não perceber quantos muros altos, grades, vigias estão a nossa volta. As recomendações para se tomar cuidado são tantas que o brasileiro se sente ofendido por aqueles que resolvem ignorar as advertências: como se fossem poucos os pedidos por precaução.

E de repende lê-se no jornal (um artigo de uma dessas pessoas de bom coração) que a sociedade não pode exigir respeito à vida de pessoas que não foram respeitadas pela sociedade (por respeito à vida quero mesmo dizer o mínimo respeito à vida, quando a dor agonizante e a morte não são objetos de prazer de terceiros). E não mais que de repente uma parcela da populção acorda histérica após o resultado de uma pesquisa mostrar que mais da metade aceita a violência contra a mulher, caso ela não use roupas “apropriadas”. Como se passasse a vida ao lado de uma pessoa sem saber sequer seu nome.
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